Na integra: artigo do deputado Barba publicado na folha de São Paulo.

A economia brasileira e a paulista estão paralisadas por duas questões: Bolsonaro e Doria nada fizeram, em termos práticos, para retomar o crescimento econômico e tudo fizeram para condicionar o aquecimento da economia à aprovação da reforma da Previdência.

Em artigo nesta página, o governador João Doria defendeu a reforma, de modo mais realista que o rei. "A necessidade de se reformar a Previdência já passou pelo teste das ruas", disse ele. A propósito, alguém viu levas de brasileiros clamando nas ruas pela reforma da Previdência?

Mas tem razão Doria quando diz que "ela (a reforma) define o rumo de um país para as próximas gerações". E aqui está todo o problema. A ameaça é termos um país ainda mais desigual e pobre, como apontaram os dados:

Reduzir o Benefício de Prestação Continuada (BPC) para R$ 400,00, aos 60 anos, é desproteger milhões de pessoas pobres;

Aumentar a exigência de contribuição de 15 para 20 anos para os trabalhadores rurais é, na prática, inviabilizar a sua aposentadoria;
Implantar a capitalização significa comprometer a atual fonte de receita da Previdência, com risco real de calote em quem já recebe do INSS. Até por conta do crescente número de trabalhadores jogados ao subemprego, na informalidade do trabalho sem carteira assinada.

O déficit de receita da Previdência tem relação direta com o trabalho informal e as variáveis conhecidas como bico, temporária e intermitente. Todos sem nenhum vínculo empregatício e recolhimento previdenciário, mas que de alguma maneira, ajudam camuflar a realidade do desemprego galopante, fruto da economia agonizante.

O Estado de São Paulo tem dado significativa contribuição para a escalada do desemprego e contabiliza 2,8 milhões de pessoas sem trabalho, diante dos 13,1 milhões de desempregados em todo o Brasil. É falso dizer que só investimento privado pode reverter esta situação. E, pior ainda, é a chantagem do presidente de que sem a reforma teremos de volta a inflação.

Ora, desde que Bolsonaro assumiu a presidência, os combustíveis aumentaram em mais de 30%, desencadeando elevação dos preços e acendendo a chama da inflação.

O Brasil já experimentou a fórmula do desenvolvimento, o quadro de pleno emprego, trabalhadores com carteira assinada, direitos garantidos, ganho real acima da inflação nos tempos de prosperidade à nossa nação, resultado da política de fomento à economia e apoio aos pequenos e médios produtores do campo e da cidade estimulados pelas políticas públicas do governo do ex- presidente Lula.

O Estado tem sim que investir. São Paulo tem recursos para ativar a economia e combater o desemprego. Aqui, governador e prefeito têm no caixa mais de R$ 25 bilhões, mas não investem. Poderiam, pelo menos, retomar parte das 317 obras que estão paradas, ajudando a criar empregos. Em vez disso, preferem enxugar a máquina pública. O déficit de São Paulo é visível na saúde, educação, emprego e, o mais grave, na gestão.

Teonilio Barba Lula
Deputado estadual e líder da bancada do PT na Assembleia Legislativa de São Paulo.

 

Partido dos Trabalhadores

O Partido dos Trabalhadores surgiu como agente promotor de mudanças na vida de trabalhadores e trabalhadoras das cidades e dos campos, militantes de esquerda, intelectuais e artistas.

Foi oficializado partido político em 10 de fevereiro de 1980. O PT integra um dos maiores e mais importantes movimentos de esquerda da América Latina. Confira nossas redes sociais

 
 
 
 
 

Seja Companheiro!

Cadastre-se Online

Top