“O povo de São Paulo perdeu a paciência com o marketing de botox do suposto João Trabalhador”, afirmam petistas em artigo divulgado.

O prefeito de São Paulo, João Doria Junior, tem um desempenho sofrível à frente da maior prefeitura do Hemisfério Sul, a quinta maior do mundo. Completado quase um ano de governo, ele é a encarnação rediviva da célebre frase de Abraham Lincoln, o grande presidente que aboliu a escravidão nos Estados Unidos na segunda metade do século XIX e que carimbou para sempre a testa dos demagogos:

“Pode-se enganar a alguns o tempo todo e a todos por algum tempo, mas não se pode enganar a todos o tempo todo.”

O povo de São Paulo, especialmente os trabalhadores e as famílias dos bairros mais pobres da capital, os que mais necessitam do dinamismo da administração pública, perdeu a paciência com o marketing de botox do suposto João Trabalhador.

A avaliação de Doria, segundo o Datafolha, mergulhou de elevador no ruim e péssimo, enquanto a sua ineficiência administrativa subiu de escada rolante à vista do povo. Reprovado por 39% dos paulistanos, advertido por outros 20% que o veem com um ainda indulgente “regular”, Doria fingiu humildade ao comentar a pesquisa: “O sinal é claro, temos de melhorar”, disse ele. Mas não se deu por vencido em sua mal disfarçada ambição eleitoral de disputar a Presidência da República. “Não se trata de um recuo”, ele respondeu sobre uma possível pré-candidatura. “Trata-se de colocar um foco (na gestão municipal). Eficiência e foco, determinação.” (Jornal Valor Econômico, 6/12).

Como é que é? Então o gestor competente, o empresário que traria eficiência para o setor público, levou 300 e tantos dias para descobrir que sua administração não tem foco, que falta eficiência ao seu governo? A sorte dele é que os tempos do executivo público não são os do executivo privado. Se estivesse à frente de uma empresa de verdade, impessoal e moderna, e não fosse, como é, dono de uma firma familiar e arcaica dedicada a eventos para adular empresários com dinheiro público muitas vezes liberado por governadores amigos, tal seu padrinhoGeraldo Alckmin, Doria já estaria no olho da rua. E pelo maior dos pecados: incompetência.

“Doria, você está demitido”! Esta sentença, que tantas vezes o tucano empregou ao avaliar o desempenho de participantes do reality show O Aprendiz, que conduziu na televisão, exprime bem o sentimento geral sobre seu governo.

As coisas têm de ser chamadas pelo seu nome verdadeiro. E a verdade inconveniente de João Agripino Doria Junior é que sua administração acelerou sim, mas rumo ao passado: até já faz lembrar a calamitosa do finado prefeito malufista Celso Pitta.

Doria fez o Corujão da saúde, reduziu momentaneamente a fila de espera de exames de saúde, mas hoje as filas voltaram e encontram-se no mesmo nível de espera de antes. Cortou verbas do transporte de alunos da rede municipal, o programa TEG que atravessou diferentes governos; cortou o leite de mais 700 mil estudantes, do programa Leve Leite; paralisou a construção de CEUs; congelou o uso de recursos em programa de obras contra enchentes; diminuiu a limpeza de ruas e praças nos bairros mais pobres da Capital, entre outras medidas que tiveram como justificativa um argumento em que nem o secretário de Finanças de Doria, Caio Megale, acredita: a falta de recursos supostamente deixada pela administração anterior, de Fernando Haddad.

O próprio Megale reconheceu de público que o secretário anterior havia deixado um caixa positivo de R$ 5,3 bilhões, dos quais R$ 350 milhões de recursos livres. Não bastasse isso, medidas de melhoria da fiscalização da cobrança de IPTU e ISS, adotadas na gestão anterior, contribuíram para a melhoria da arrecadação tributária da cidade, também ajudada pela ligeira melhora da atividade econômica.

O vexaminoso episódio da farinata, o composto de sobras de comida que seria produzido por mais um “parceiro” privado, machucou a imagem do prefeito, o fez recuar e deixar de lado uma iniciativa condenada por nutricionistas mundo afora. Entretanto, ele seguiu em frente com seu agressivo intento privatizador de bens e serviços públicos que, por enquanto, ele também não conseguiu ir além de palavras.

Doria dá mostras de não gostar dos procedimentos legais nem na Câmara nem nos processos licitatórios. O que só agrava a incapacidade de seus secretários em colocar em prática o seu próprio plano de governo. Tudo parece montado para, havendo oportunidade, Doria sair da cadeira de prefeito até abril, quando vence o prazo de desincompatibilização para lançamento de uma eventual candidatura a presidente ou governador – ambição menor a que ele momentaneamente parece ter se rendido.

A certeza do calendário gregoriano, de um novo ano, não é certeza do calendário político, de uma cadeira executiva ocupada pelo prefeito eleito de São Paulo. O propalado gestor está comprometido com jogadas políticas até o último fio de seu implante capilar. Mas, com a máscara do anti-político vindo à terra, ele ainda vai ter muito trabalho para convencer seus correligionários do PSDB de que é o nome da vez e que poderá, com marketing, fazer um raio cair no mesmo lugar duas vezes. A temporada de chuvas deste verão de muitas águas poderá lhe dar ainda mais dissabores políticos, com o despreparo que o seu governo vem deixando a cidade para a vida real.

Antonio Donato é vereador e líder da Bancada do PT na Câmara Municipal de São Paulo

Paulo Fiorilo é o presidente do Diretório Municipal do PT-SP

 

Última modificação em Mar 02, 2018

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