Com a tarefa de defender a possibilidade de candidatura de Lula à Presidência num estado reduto do PSDB, o presidente do PT de São Paulo, Luiz Marinho, foi escolhido neste sábado (24) como o pré-candidato do partido ao governo estadual.

Ele concorria com o ex-prefeito de Guarulhos (Grande SP) Elói Pietá, cuja chapa questionou a falta de debate prévio sobre a escolha de um nome do partido.

Marinho foi o vencedor com 79% dos votos dos delegados.

Os principais adversários do petista na campanha devem ser o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB) e o vice-governador Márcio França (PSB). Antes de escolher Marinho, o partido decidiu não apoiar França.

O vereador Eduardo Suplicy foi escolhido como pré-candidato ao Senado. A outra vaga ficará com o ex-secretário municipal de Transportes Jilmar Tatto.

Em breve discurso antes do resultado, Marinho disse que seus objetivos são “derrotar os tucanos no estado de São Paulo” e fazer a “defesa intransigente de Lula livre” e na possibilidade de “o povo brasileiro votar em Lula presidente da República”.

Depois, disse que era hora de "retomar o crescimento" do partido no Estado, que foi derrotado pelo PSDB em 2014 tanto no governo (Geraldo Alckmin foi reeleito em primeiro turno, derrotando Alexandre Padilha, que ficou atrás também do emedebista Paulo Skaf), como ao Senado (José Serra ganhou a vaga de Suplicy).

Na quinta (22), o STF (Supremo Tribunal Federal) adiou para 4 de abrilo julgamento do habeas corpus pedido pela defesa do ex-presidente Lula e deu uma liminar que, até lá, proíbe a prisão do petista. A discussão sobre prisão após segunda instância não foi pautada.

Na segunda (26), o TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) julgará os últimos recursos em segunda instância de Lula no caso do tríplex de Guarujá (SP).

Antes de Marinho ser escolhido, o deputado federal Arlindo Chinaglia disse que o momento era propício para o lançamento da pré-candidatura porque, segundo ele, o partido tem recuperado popularidade e “até o Supremo Tribunal Federal tem a possibilidade de conceder um habeas corpus para o Lula”.

“Essa é a parte boa. Mas também nesse período nós estamos passando por um momento delicado, porque esse encontro poderia estar acontecendo no mesmo exato momento da prisão do presidente Lula”, disse Chinaglia.

“Foi ponderado o adiamento desse encontro. Foi mantido.”

Durante a tarde, um deputado estadual, João Paulo Rillo, anunciou saída do PT e filiação ao PSOL, afirmando em carta aberta que o partido em São Paulo passou a adotar postura "dócil com os adversários". Rillo é próximo a Elói Pietá.

Marinho foi escolhido com 660 votos de delegados; Elói recebeu 175. Ele é ex-prefeito de São Bernardo do Campo, reduto político do ex-presidente Lula. Também ocupou os ministérios do Trabalho e da Previdência sob Lula.

HABEAS CORPUS

Pela manhã, Marinho defendeu que o STF julgue não só o habeas corpus preventivo do ex-presidente Lula, mas também ação que rediscuta as prisões após condenação de segunda instância.

“O Lula nunca pediu privilégios. Ninguém tem que ter privilégios, tem que ter uma regra que valha para todo mundo”, afirmou Marinho em encontro do partido em SP que deve torná-lo o único pré-candidato no estado.

“Achamos que a presidenta Cármen Lúcia deveria ter pautado não o caso do habeas corpus do Lula, mas a ADC (ação declaratória de constitucionalidade), que dê repercussão coletiva para o país, não individualmente.”

Os discursos do partido já têm sido alinhados no mesmo sentido da fala de Marinho. Ex-presidente nacional do partido, Rui Falcão também defendeu no evento que, em vez do habeas corpus, o Supremo julgue a ADC.

O PT de São Paulo pretende fazer uma manifestação no dia 3 de abril pela manutenção da liberdade do ex-presidente. No mesmo dia, movimentos como MBL (Movimento Brasil Livre) e Vem Pra Rua marcaram atos com pauta oposta.

Fonte: Folha de São Paulo - (https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/03/luiz-marinho-e-oficializado-como-pre-candidato-do-pt-ao-governo-de-sp.shtml)

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