O Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp acaba de criar uma disciplina com o mesmo nome daquela que será ministrada pelo professor Luís Felipe Miguel, da Universidade de Brasília (UnB): “Golpe de 2016 e o Futuro da Democracia no Brasil”.

Na universidade paulista, cada docente dará uma palestra no curso em solidariedade ao professor Miguel, que vem sendo perseguido pelo ministro daEducação do governo Michel TemerMendonça Filho, que anunciou recentemente que acionará o Ministério Público Federal para apurar suposto “ato de improbidade” por parte de quem criou a disciplina na UnB.

A disciplina do IFCH da Unicamp terá basicamente o mesmo conteúdo da oferecida pela universidade brasiliense, em solidariedade ao professor Luis Felipe Miguel e em desobediência coletiva contra o autoritarismo e agressão contra a autonomia universitária e liberdade de cátedra.

Em relação à Unb, aliás,  disciplina a“Tópicos Especiais em Ciência Política 4: O golpe de 2016 e a democracia”, do professor Luís Felipe Miguel já está lotada e tem 40 pessoas na lista de espera,segundo informa o site Poder 360. A procura pode ser ainda maior quando o sistema da universidade reabrir para o período de ajuste de matrícula, na segunda-feira (26).

Confira a nota divulgada pelos docentes da Unicamp em solidariedade ao professor Luís Felipe Miguel. Veja abaixo:

“NOTA DO DEPARTAMENTO DE CIÊNCIA POLÍTICA DA UNICAMP EM DEFESA DA LIBERDADE DE CÁTEDRA E DA AUTONOMIA UNIVERSITÁRIA

O Departamento de Ciência Política da Unicamp vem a público manifestar irrestrita solidariedade ao professor e pesquisador Luís Felipe Miguel, da Universidade de Brasília, que ministrará neste semestre a disciplina “O golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil”.

Repudiamos as declarações e ameaças do ministro da Educação do governo golpista contra nosso colega da UnB. Elas são a demonstração cabal de que vivemos em um contexto político autoritário, no qual a máxima autoridade federal no campo educacional infringe a liberdade de cátedra e a autonomia universitária contra um docente e cientista político que apenas cumpre seu dever de ofício: pesquisar, elaborar cursos sobre a realidade e ensinar.

Manifestamos nossa mais profunda indignação contra os ataques à Universidade Pública e aos seus membros a que temos assistido nos últimos meses no Brasil. Não é esse o caminho pelo qual transformaremos o Brasil em um país soberano, justo e livre. Estamos e estaremos juntos na luta para mudar a atual situação política do país.

Docentes do Departamento de Ciência Política da Unicamp e demais apoiadores”

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