Analisando a decisão dos ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) pela redução da pena de Lula, no caso do tríplex do Guarujá (SP), que dá a defesa do ex-presidente a chance de pedir a progressão de cumprimento da pena do regime fechado para o semiaberto a partir de setembro ou outubro, analistas da consultoria de risco político Eurasia Group, foram diretos e objetivos: a batalha de comunicação contra políticas de arrocho do governo de Jair Bolsonaro (PSL) vai ganhar seu maior e mais poderoso inimigo se Lula tiver liberdade para falar.

De acordo com reportagem de Marcos Mortari, publicada no portal da InfoMoney, um blog de economia, os especialistas da consultoria analisaram as consequências da decisão do STJ sob a ótica política e concluiram que “é pouco provável que Lula tenha seu pleito inteiramente atendido, mas, caso o cenário se confirme, cresce sua potencial participação na batalha da comunicação contra políticas implementadas pelo governo do presidente Jair Bolsonaro, ainda que a possível progressão de regime esteja prevista para o fim do ano”.

A reportagem prossegue afirmando: “Entre os principais alvos do petista pode estar a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da reforma da Previdência, que hoje tramita em comissão especial na Câmara dos Deputados. Pelo calendário de membros do governo, espera-se que em setembro o texto esteja em discussão no Senado Federal”.

“É improvável que Lula seja completamente libertado da prisão no curto prazo. Ainda assim, uma presença maior na mídia pode ajudar a dar força à oposição ao governo e, especialmente, contra as deliberações de reforma previdenciária no Congresso”, afirma relatório da Eurasia.

Para o presidente da CUTVagner Freitas, a avaliação da consultoria indica, mais uma vez, que a prisão de Lula é política e ele ainda não foi solto porque em liberdade, conversando com o povo, pode ajudar na luta contra a retirada de direitos, os arrochos salariais e previdenciários.

Nas ruas e livre para falar, eles sabem que Lula é imbatível, pois foi o presidente que mais fez pelo povo e nem em época de crise internacional sequer pensou em tirar nenhum direito – avalia Vagner Freitas

reforma da Previdência de Bolsonaro institui a obrigatoriedade da idade mínima (65 anos para homens e 62 anos para mulheres), aumenta tempo mínimo de contribuição de 15 para 20 anos e reduz valor dos benefícios para 60%. A reforma é especialmente perversa com os trabalhadores mais pobres, rurais e professores. É praticamente o fim da aposentadoria para milhões de trabalhadores e trabalhadoras.

De acordo com a reportagem, para os analistas da consultoria, a opinião pública é a principal variável para o desfecho da proposta no parlamento. Em seu cenário base, eles estimam que a proposta seja aprovada em uma versão com impacto fiscal entre R$ 500 bilhões e 700 bilhões em dez anos, o que corresponde a uma diluição de ao menos 42% em relação ao texto original encaminhado pelo governo.

“A opinião pública sobre a reforma da Previdência é a variável mais importante (70% de probabilidade neste ano). Embora não esperemos um crescimento significativo da oposição, este [a participação de Lula no debate público em caso de progressão de regime] é um importante fator para monitorar”, avaliam em relatório, segundo a InfoMoney.

Por CUT

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