Para analisar o atual cenário político brasileiro é preciso, necessariamente, levar em conta dois pontos fundamentais no processo de construção da narrativa neoliberal que culminou numa série de retrocessos desde o golpe de 2016 e cujo episódio mais recente foi a prisão política do ex-presidente Lula: a relação entre democracia e comunicação.

Foi sob esta perspectiva que a filósofa Marilena Chauí e o cientista político Juarez Guimarães traçaram panorama sobre o país no debate que abriu o último dia da Conferência Lula Livre: Vencer a Batalha da Comunicação realizada em São Paulo em 13 e 14 de abril.

Durante sua análise, Marilena Chauí lembrou da estrutura hierárquica que domina a sociedade brasileira desde o período colonial, fato que altera profundamente o que entendemos hoje como democracia. “A sociedade brasileira está estruturada de tal maneira em que as relações são sempre de mando e obediência. É visceralmente estruturada para impedir a igualdade”.

A filósofa aponta que tal verticalização das relações explica também o ódio que permeia o discurso de grande parte dos brasileiros. “Ela é violenta porque está estruturada em todas as relações cotidianas. Quando se diz “você sabe com quem está falando?”isso já impede qualquer tipo de relação de igualdade. A sociedade brasileira é vertical, hierárquica. Onde há burocracia não pode haver democracia.”

Chauí reitera, ainda, que o principal inimigo da democracia é o mesmo em várias partes do mundo: o neoliberalismo. “O neoliberalismo define o indivíduo como capital humano. É uma nova racionalidade que se instala no mundo em que os indivíduos são regidos sobretudo pelo princípio universal da concorrência”.

Embora o cenário seja desfavorável, a filósofa se apoia no próprio desenrolar da história para acreditar que seja possível, sim, recuperar a democracia no Brasil e a liberdade necessária do ex-presidente Lula.  Neste processo, claro, a comunicação é fundamental.

“Temos que inventar novas formas de lutar. E garanto a vocês que é possível.  Porque somos melhores, sempre fomos melhores que eles. O que nós precisamos é cativar essas pessoas que estão em silêncio, mas que condenam tudo que está acontecendo no Brasil. Temos que usar uma comunicação que resulte em grandes manifestações. Já temos o apoio da maioria da população. Agora é preciso se mobilizar ainda mais”.

“Contra o pessimismo da razão, o otimismo da prática”. A frase do filósofo marxista italiano Antonio Gramsci resume o ponto de vista construído pelo cientista político Juarez Guimarães durante a conferência.

O pensador, que foi um dos primeiros a antever a possibilidade de um golpe parlamentar no Brasil, lembra da trajetória do sul-africano Nelson Mandela para acreditar na libertação de Lula por meio de grande mobilização popular.

“A libertação de Mandela da prisão só foi possível quando os movimentos populares tanto do país quanto os internacionais tornaram-se incontornáveis. Por isso, a libertação de Lula só será possível se os movimentos daqui e de fora se tornarem também incontornáveis”.

“A questão é: como construir a consciência e as vozes diante até a mais dura repressão? Penso que é possível”.

O que faz Guimarães a acreditar nesta possibilidade está na crise de credibilidade pela qual passa o governo golpista. “A  narrativa do golpe está em crise, basta ver a popularidade do Temer, o presidente mais impopular do mundo”.

“Estamos diante da mais dura e importante e mais bela de todas as campanhas públicas e políticas do nosso país. Com as forças da esquerda unidas foi possível deslegitimar o golpe. A campanha pela liberdade de Lula tem deslegitimado o judiciário brasileiro”, avalia.

O cientista se diz otimista também devido ao que o Brasil e o mundo testemunharam nos últimos dias. “A resistência em São Bernardo do Campo o acampamento em Curitiba construíram símbolos que entraram para história.

“Somos agora todos e todas Lulas. Não pode ser banalizado este desafio. A esperança das caravanas nao é apenas um fenômeno eleitoral. O alcance das mobilizações em defesa de Lula tem atingido”.

Da Redação da Agência PT de Notícias.

 

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