Com um enredo com forte conteúdo social, a Mangueira emocionou o público que compareceu na Sapucaí, no segundo dia de desfiles do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro, na madrugada desta terça-feira (5). A escola verde e rosa, uma das mais tradicionais do país, apresentou o enredo “História pra ninar gente grande”, com o qual contou a trajetória de heróis negros e índios esquecidos dos livros e não mencionados na história oficial do Brasil.

Com fantasias vibrantes e alegorias impactantes, a escola mostrou um pouco da história de líderes como Luis Gama, advogado abolicionista; Luisa Mahin, ativista participante da revolta dos Malês; Dandara, líder quilombola esposa de Zumbi dos Palmares, além de tratar de temas como as revoltas indígenas. A comissão de frente retratou os “grandes nomes da história nacional” que, na verdade, tem um caminho forjado por sangue.

“Brasil, meu dengo, a Mangueira chegou, com versos que o livro apagou, desde 1500 tem mais invasão do que descobrimento, tem sangue retinto pisado, atrás do herói emoldurado, mulheres, tamoios, mulatos, eu quero um país que não está no retrato.”

Ao longo do desfile, os carros trouxeram frases como “Ditadura Assassina”, mostraram ex-presidentes como Floriano Peixoto pisando em cadáveres e apresentaram os Bandeirantes como gananciosos que mataram e escravizaram índios em busca de ouro (ao invés da imagem de desbravadores que consta nos livros escolares).

Brasil, o teu nome é Dandara, e a tua cara é de cariri, não veio do céu, nem das mãos de Isabel, a liberdade é um dragão no mar de Aracati”.

A Mangueira também homenageou a vereadora Marielle Franco (Psol), assassinada a cerca de um ano, cujas investigações seguem sem solução. Além de citar o nome dela no samba, no final do desfile uma das últimas alas trouxe diversas bandeiras com o rosto da vereadora em verde e rosa (as cores da agremiação). A arquiteta Mônica Benício, viúva de Marielle, esteve presente na passarela, usando uma camiseta com os dizeres “Lute como Marielle”. O deputado federal Marcelo Freixo (PSOL) e o vereador Tarcísio Motta (PSOL) também participaram do desfile.

Salve os caboclos de julho, quem foi de aço nos anos de chumbo, Brasil, chegou a vez, de ouvir as Marias, Mahins, Marielles, malês”.

Um dos destaques da escola foi a bateria que levantou o público ao utilizar instrumentos característicos de religiões de matriz africana. A ação foi pensada não apenas pela sonoridade, mas para explicitar, mais uma vez, o tom político e social do desfile de 2019, buscando valorizar a cultura afro e criticar o preconceito contra as religiões afrodescendentes.

Por Brasil de Fato

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